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Bolsa de Lisboa

domingo, 23 de outubro de 2011

Arruada da Indignação

Porque o direito à indignação é um direito consagrado na constituição da República Portuguesa, e porque estou perfeitamente indignado, diria mesmo revoltado com a política de suicídio que este governo está a seguir, decidi aderir à arruda da indignação convocada pela União dos Sindicatos de Castelo Branco, para ontem dia 22 de Outubro, na cidade da Covilhã.

Há hora marcada, 16 horas, lá estava eu no antigo Campo das Festas, pronto e em silêncio para participar na jornada de luta. Atenção que eu sou daqueles cidadãos que por tudo o que já passou, poderia e se calhar deveria ter ficado no conforto do lar, simplesmente há espera que alguém faça alguma coisa para mudar o rumo dos acontecimentos, tal como muitos que preferiram passar a tarde enfiados num café a falar porventura de um qualquer jogo de futebol ou a perde-se em conversas de umbigo. Normalmente as pessoas que se alheiam da luta, mesmo que a canga lhes esteja a cair em cima, são aquelas que pensam com os pés, deixando que na cabeça lhes cresça o cabelo, para terem mais um motivo de conversa oca, quando vão ao barbeiro ou cabeleireiro.

Mas voltando à arruada, confesso que fiquei ligeiramente apreensivo, quando cheguei e não vi mais de 50 pessoas prontas a mostrarem a sua indignação e a fazerem a arruada. Ouvi no meio destes, um desabafo de um homem que aparentava ter na casa dos 80 anos, mas com visível força para engrossar a arruada, ter este desabafo. “O Povo da Covilhã é traiçoeiro, fala, fala mas na hora da verdade mete-se na toca”, a isto eu diria que é antes de mais, Cobardia.

No entanto e decorrido algum tempo, mais ou menos meia hora, começam a chegar cada vez mais pessoas e o meu semblante e o do homem de 80 anos, mudou completamente, afinal muita gente estava a aderir, o que levou o Homem a desabafar “Estou admirado, com a agente que está a chegar, mas ainda bem que me enganei que é para o Governo ver que na Covilhã também sabemos lutar”.

Como a organização achou que já tinha gente para fazer a arruada, mais ou menos entre 500 e 700 pessoas, e eu não sou bom a fazer este tipo de contagem, deu-se inicio a uma marcha ruidosa (apitos e palavras de ordem), mas ordeira, tal como os sindicatos nos habituaram ao longo dos anos que a Democracia leva. Entre as palavras de ordem mais ouvidas estavam:

ASSIM NÂO VAI DAR, SEMPRE OS MESMOS A PAGAR.
O CAPITAL A ROUBAR, QUEM TRABALHA A PAGAR.
ESTAMOS A LUTAR! QUEREMOS TRABALHAR.

Nem mesmo quando a policia não fez o seu trabalho de ordenamento do trânsito na Zona do Pelourinho, a coisa descambou, pois o Coordenador da USCB soube ele mesmo pedir aos automobilistas que deixassem passar os manifestantes de forma pacífica. Fica aqui claro que se um dia em Portugal houver desacatos em manifestações não será certamente por culpa dos organizadores, porque estes tudo fazem para que a manifestação seja isso mesmo, manifestação livre de opinião sobre acontecimentos. Escrevo isto porque recentemente o Primeiro-Ministro, afirmou que poderia eventualmente em Portugal e a propósito das medidas de austeridade agora anunciadas, haver convulsões agressivas por parte da população. Pois Sr. Passos Coelho, se o Sr. Ou seu governo, não se meterem com o Povo, obviamente o Povo, lutará contra as suas medidas, mas sempre de forma correcta e ordeira. Não conte que será o Povo a pegar em armas e bastões, para travar os seus actos. O Povo sairá vencedor do braço de ferro pelas armas que a Constituição da República Portuguesa consagra e não por violência gratuita, que pelos vistos o Sr. Quer que aconteça, para ter razão.

Estou orgulhoso por ter feito parte desta arruada

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